Bibliografia para a Oficina: JAUÁRA ICHÊ. NÓS E ENTREMEIOS DA CULTURA ANTROPOFÁGICA28.01.14

Cal(e)idoscorpos: Um Estudo Semiótico do Corpo E Seus Códigos. São Paulo, 1997.

Os Sonhos do Corpo: A Comunicação Biocultural do Corpo. Cleide Riva Campelo. Tese de doutorado. 2001. PUCSP.

O Quark e o Jaguar. Murray Gell-Mann.

A Engrenagem e a Flor. José Ângelo Gaiarsa. São Paulo, 1986.

A Vida Simbólica. Carl G. Jung. Petrópolis, 1998.

Escritos Ordinários. Carlos Roberto Mantovani, 2007.

A Alquimia e a Imaginação Alquímica. Marie-Louise Von Franz. São Paulo, 1998.

Crisantempo. Haroldo de Campos. São Paulo, 2004.

Língua e Realidade. Vilém Flusser. São Paulo, 2007.

Os Símbolos Vivem Mais Que Os Homens. Norval Baitello Junior ET al (org). São Paulo, 2006.

A Inconstância da Alma Selvagem. Eduardo Viveiros de Castro. São Paulo, 2002.

Espelho Índio. Roberto Gambini. São Paulo, 2000.

Work in Progress na Cena Contemporânea. Renato Cohen. São Paulo, 1998.

Peer Gynt. Henrik Ibsen. Texto da internet, via scribd .

Ceiussú, A Velha Gulosa. Tradução de José Carlos de Campos Sobrinho.

A Fonte da Donzela, filme de Ingmar Bergman.

Por Um Corpo Expandido19.08.13

Cleide Riva Campelo

Já nos acostumamos às muitas vozes que nos habitam: vozes dos antepassados – seres que nem conhecemos e atuam em nós, sem nosso consentimento, em gestos repetidos, em tiques e toques, em paixões súbitas, em receios; vozes tatuadas pela química e biologia que nos dão alguns contornos interessantes como a cóclea, as brânquias fetais, os sonhos e o umbigo, por exemplo; vozes da cultura – mitos, danças, sons e cantos sempre recriados em nossos corpos; vozes da espécie, tremores e arrepios vindos do sexo e do córtex, sempre novos, sempre os mesmos.
Essas vozes – vibrações do tempoespaço imemorial do tempo da vida sobre a Terra – parecem que já estão, razoavelmente, acomodadas dentro da gente. O corpo é o mesmo corpo jurássico do princípio de todo o corpo. Mas, a dança do corpo já gerencia bem toda a logística dos movimentos do tempo e do espaço.
Isso é a história do corpo, desde seu princípio até a metade do século XX. Corpo do homo sapiens circunscrito a um espaço localizável, com raras chances de superação geográfica realizadas pelos ousados navegadores de até então.
Mas, eis que a máquinas tomam gosto pela vida. Os aviões, os carros, os trens vão nos transportando, cada vez mais velozes, a todos os cantos do planeta. E com os foguetes chegam os devaneios da superação dos limites do que poderia ser o humano. Já vagamos pelo espaço levando mensagens cifradas e imagens do corpo humano representadas em desenhos para que nos leiam algum dia, quando já não formos mais. Já ultrapassamos os limites do sonhado.
Agora, carregamos as máquinas – corpos criados por nós mesmos, nossas extensões, portanto – dentro de nossos corpos. E hoje, quando o limite entre criador e criatura já aparece borrado, queremos nos assustar, como a criança que se vê no espelho pela primeira vez e estranha seu rosto.
Somos só pés no chão, ou somos também nossos sapatos, nossas bicicletas, nossos carros, nossos ônibus, nossos trens, que nos carregam cada vez mais depressa a todos os nossos destinos?
Nossos contornos e nossos recheios estão contaminados de tudo. Sem mais poder acreditar nos rótulos iluministas que pretendiam classificar cada pedaço da vida, voltamos à sopa cósmica do deus Khaós, origem de tudo o que é a vida. E nesta retorta alquímica, o orvalho do dia novo vai, outra vez, molhar a matéria prima – tudo junto, tudo misturado – para que este novo homem que está se plasmando possa, não do barro divino, mas do barro da Terra, surgir.
Inventar e preservar: este é o ritmo do tambor que revisita caminhos míticos e inventa os mitos do futuro.

A Performance e a Bomba Atômica07.08.13

Cleide Riva Campelo/ Tutu-Marambá, Pesquisas das Artes do Corpo
Sorocaba, 7 de agosto de 2013.

Quando aquele fatídico segundo avião penetrou o corpo do World Trade Center, no que passou a ser conhecido como o ataque terrorista de 11 de setembro, o compositor alemão Karlheinz Stockhausen (1928 – 2007), grande criador e inovador da composição musical, disse que aquilo havia sido a maior obra de arte jamais realizada: o arrebatamento que foi alcançado ali em alguns segundos, jamais poderia ser realizado por nenhum artista. Esta frase, retirada do contexto original, foi alvo de muitas críticas e controvérsia; Stockhausen então voltou ao tema: e ele reafirmou que o ato havia sido um exemplo espetacular do poder da criação do destrutivo, de Lúcifer – aquele que desconhece o amor.
Isso, na época, me fez pensar em Hiroshima e Nagasaki, ainda antes dos meus tutus por perto. Sim, ainda mais para nós, da Arte da Performance, essas ações no tempo real não podem nos passar desapercebidas. Elas falam com a gente; cutucam muito de perto.
Em 2008, o grupo formatou-se por decisão coletiva, por desejo de realização de um trabalho criativo, pela vontade de cada um em cooperar na abertura de novas trilhas para nossos pés. Isso foi em Julho. Agosto raiou num piscar de olhos e pensamos: estudar performance e ignorar a ação da bomba atômica sobre duas cidades em pleno século 20? Impossível. Nossos estudos sobre Hiroshima e Nagasaki e sobre paz e guerra, violência, agressividade, as cidades, foram todos sendo desenhados por aí.
Hoje, às 19:30 horas, na praça Kasato Maru, percorreremos o caminho da invenção criativa amorosa, mais uma vez. Pela penúltima vez; já que o fim dos ciclos deve sempre ser anunciado, para que novas ideias possam brotar do desconhecido, também. Precisamos dar chances a outros, que queiram levar essa ideia adiante.
Assim, em 2014, faremos o sétimo e nosso último tributo-performance para Hiroshima e Nagasaki, cientes de que temos caminhado muito respeitosamente por essas trilhas e muito aprendemos. Em 2014, faremos as luzes das estrelas brilharem mais forte do que as luzes da explosão atômica: e mais uma vez, as pétalas das rosas sedarão os corpos-memória, que ainda precisem que se assopre sobre eles.
O grupo foi se construindo por esses anos: no anarquismo esclarecido, no respeito às diferenças, no respeito ao tempo de cada um. E críticos e sabedores da importância local de estarmos pontuando um eco sobre a memória da nossa civilização, sobre uma dor que precisamos aprender a conviver e a, criativamente, nos envergonhar, a cada dia de nossas vidas.
Nossas imagens rolarão para sempre por entre as nuvens, através de tudo o que foi e ainda será capturado pelos artistas da imagem: Nilze de Campos, Beto Rocha e Tiago Macambira, a quem somos afetuosamente ligados. Eles são dádivas dos deuses em nosso trabalho.
Por quem os sinos tocam? Por você. Por mim. Pela vida, sempre insistindo nas surpresas que nos prepara. Os sinos, quando tocam, também são momentos de suspensão insuperável. Vamos com os sinos; com a criação que preserva a vida. Que planta sementes. Estão ouvindo? Começam a tocar…Stockhausen e Koellreutter dão risadas.

Por quem os sinos dobram …07.08.13

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Tutu-Marambá, Pesquisas das Artes do Corpo, apresenta a performance-rito:
Por Quem os Sinos Dobram
Nesta quarta-feira, dia 7 de agosto, como vem realizando a cada ano desde 2008, o grupo de estudos das artes do corpo e arte da performance, Tutu-Marambá, sob a coordenação de Cleide Riva Campelo, apresentará no parque Kasato Maru, em Sorocaba, às 19:30hs, a performance-rito POR QUEM OS SINOS DOBRAM, em homenagem às vítimas de Hiroshima e Nagasaki, atingidas pelas bombas atômicas lançadas em 6 e 9 de agosto de 1945.
Neste ato pela paz, o grupo de performers busca mais do que apenas a resistência política na manutenção da memória das consequências atômicas no planeta: o próprio título da performance-rito, POR QUEM OS SINOS DOBRAM, inspirada na obra de Ernest Hemingway, que por sua vez faz a citação de John Donne, lembra-nos que ninguém pode viver isolado e que a ação violenta sobre qualquer ser humano em qualquer tempo não poderá ser desprezada por ninguém. Somos afetados pela ação de todos – este é o traço de nossa humanidade.
O grupo de pesquisa sobre performance e artes do corpo faz dessa homenagem seu libelo pela paz, pela convivência de todos e para que se encontre sempre um caminho comunicativo em todas as questões do mundo contemporâneo – que a violência não seja nunca o caminho de escolha para a solução de nossas diferenças e de nossos obstáculos.
Para homenagear a memória de todas as pessoas que naquelas duas manhãs ensolaradas de agosto de 1945 tiveram seus sonhos brutalmente interrompidos é que o grupo Tutu-Marambá convida a todos para a performance-rito POR QUEM OS SINOS DOBRAM.

Dobrados para o Manto03.05.13

FLYER

Indicações Bibliográficas da oficina “Desdobrando o Manto”10.04.13

 INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS:

 

Os Sonhos do Corpo: A Comunicação Biocultural do Corpo. Cleide Riva Campelo. Tese de doutorado. 2001. PUCSP.

O Quark e o Jaguar. Murray Gell-Mann.

Contra o Método. Paul Feyerabend. Rio de Janeiro, 1989.

A Estátua e a Bailarina. José Ângelo Gaiarsa. São Paulo, 1988.

O Livro Vermelho. Carl G. Jung. Petrópolis, 2010.

Poemas, Textos de Dramaturgia, e Contos de Carlos Roberto Mantovani.

Obra do Bispo do Rosário.

Obra de Salvador Dali.

Obra de Stravinsky.

Obra de Vladimir Maiakóvski.

Lista dos Selecionados para a Oficina “Desdobrando o Manto”10.04.13

01 – Mariane Aguiar de Oliveira
02 – Stephane Jaqueline Vieira Coelho
03 – Niany Nicoley Franco
04 – Quitéria Maria da Silva
05 – Rafael Soares Leite Negro
06 – Carolina França de Souza
07 – Aline Oliveira Amaral Costa
08 – Anderson de Almeida Ramos
09 – Mauricio Felippe
10 – Sandy Domingues de Souza
11 – Gladson Flebertty dos Reis de Lima
12 – Juliana Marques de Lima
13 – Paulo Eduardo Conceição Farias
14 – Rodrigo Bragatto
15 – André Augusto Galvão
16 – Natalia Totta
17 – Jéssica Alana L. Mendes
18 – Alexandre Correa Ventris
19 – André Augusto Vieira Moraes
20 – Daiane Rodrigues Vieira
21 – José Rafael Duarte
22 – Bruno Leonardo de Almeida
23 – Flavio Queiroz de Souza
24 – Thânia Talita Paulino
25 – Douglas Anhaya de Barros
26 – Dener Wesley Mota
27 – Luis Fernando Richter Pereira dos Santos
28 – Eliana Santana da Silva
29 – Silvia Ravanelli

Desdobrando Manto10.04.13

manto

Manto.06.02.13

Tutu-Marambá, Pesquisas das Artes do Corpo: primeiro encontro do ano, 5/2/2013. Início dos trabalhos de pesquisa para a preparação da oficina na G.O. no tributo aos 10 anos da partida do amigo Mantovani. Velhos tutus voltando ao ninho; muita felicidade no reencontro. São muitas as costuras para frente e para trás para poder tecer nosso novo trabalho. Começamos com os sonhos que já vieram trazendo a estrutura do trabalho. Queremos voltar a beber na fonte dos trabalhos do Manto, não para reproduzi-los, mas para dar a eles a chance de continuar vibrando dentro da gente. Muita emoção nos relatos de Quitéria, a menina cujo futuro de deusa tutu o Mantovani, sem dúvida, anteviu completamente. E preparou. Fala do Zeca. Do Esdras. Minha fala. Do Tiago. Também a fala dos que ainda vão conhecê-lo melhor. A leitura do poema do livro do Manto. Começamos nosso caminho reatando alguns fios que estavam desamarrados. Foi preciso consertar as fraturas, as rupturas, antes de podermos colocar mãos à obra sobre o Manto – ele, que, afinal, só contribuia para que as pessoas se juntassem. Que pregava a união da classe… No final, a celebração em volta da mesa. Ele teria gostado! Esta viagem já está sendo muito boa, estou adorando! Bom Carnaval aos tutus e a todos.

05/1206.12.12

Nesta quarta, 5 de dezembro, o grupo Tutu-Marambá, Pesquisas das Artes do Corpo, deu prosseguimento aos estudos sobre corpo e espaço. Hoje trabalhamos as questões dos deslocamentos, do nomadismo: começamos ouvindo Chico Buarque: Violeira e Rap do Cálice. Violeira me fez pensar nas moças da praça que entrevistamos e olhamos. Gostei do refrão: “quero ver quem é que arranca nós aqui deste lugar!” O Rap do Cálice do Chico é o melhor exemplo de deslocamento, de pensamento nômade: aquele que não fica preso no passado, na glória, no ego. O verso “Palmas pro refrão doído do rapper paulista” é um absurdo: a melodia é como a amêndoa do caroço do pêssego, pérola escondida. E o arsênico ali também detona a emoção, Chico encontrando Criolo, como aquele avião entrando no corpo do prédio americano. Fica tudo suspenso por uns segundos, a gente quase morre de susto, e volta-se a respirar como sempre. Deslocamento, nomadismo – movimentos contrários de só se viver aquilo que se conhece. Assumir riscos, vertigem, exercício para os olhos…Claro, que antes de tudo, lembramos Décio, do trio concretista, que partiu esta semana. Nem sabíamos ainda de Niemeyer…Viva o poeta! Viva o artista das curvas!
Em seguida, trabalhamos nossos deslocamentos sutis e mais escondidos, no exercício corporal que fizemos, deslocando os quadris: requebrando, botando pra quebrar (no caso, nossa rigidez de cada dia, que sempre insiste em engessar nosso corpo). Junto com a soltura dos quadris, soltamos as palavras. Primeiro palavras-palavras; depois palavras recém moldadas, sons novos, articulações sonoras virgens de significado. Nesse segundo momento foi quando aconteceu a liberação do quadril, da pelvis, das couraças. Momento mágico. Aproveitamos para revisar nossa memória yogue: fizemos uma roda de asanas…
Em seguida, assistimos a parte final do documentário do Koellreutter, para terminar no encantamento das palavras sedutoras daquele mago/músico e seu som incrível.
O macarrão nos uniu em volta da mesa, na escada, em frente à TV. Deslocamentos…

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